Luciana Petrelli
e seu acervo

Vídeos
Ilhas de Força
Curadoria Juliana Crispi
Ilhas de Força constituem séries fotográficas iniciadas pela artista Luciana Petrelli em 2016 e que agora se desdobram também em vídeos, instalação, performance e outras ações. Entre a força da natureza e as relações do mineral e outros elementos, a PEDRA repete-se como fonte que perturba e resiste, reinventa territórios e desestabiliza Fronteiras.
Nesta série realizada e performada em parceria com a banda Mulamba, Luciana afirma a forma e a beleza em ser resistência através das pedras que agora integram e se contaminam pela presença de diferentes mulheres, “mastros da bandeira da revolução".
Entre a água que corre em olhos úmidos, entre o amor e a dor, entre a linha vermelha marcadora de vida, tensão e movimento, entre ira e paixão, as mulheres transportam a dureza da pedra para a maleabilidade da água em fluxo de trocas que se tornam marcas dos femininos que reafirmam seu papel na contemporaneidade em potências múltiplas: “É lama, é barro, é doce, é mancha, é sangue, é feto, é sede, é mato, é fome, é mãe, tudo quieto.”
Indagações sobre ancoragem, identidade em sentimentos e conexões. Ilhas de Força retorna ao porto pela força da mulher com garra febril, inundando a terra em brasa de águas férteis.
Coletivo 7 Mulheres
Este trabalho foi desenvolvido durante o período pandêmico, através dos recursos da tecnologia. O Coletivo 7Mulheres formado por mulheres fotógrafas desde 1018, tinha como hábito se reunir uma vez por semana para pesquisar e refletir sobre temas diversos que nos afetassem. O período pandêmico nos permitiu inventar diferentes formas de encontro, mesmo que estes não fossem presenciais. Organizamos até mesmo jantares e happy hour para podermos estar juntas, pensando temas que fossem de interesse comum ao grupo.
Durante a Covid 19 nos surpreendemos com diversos acontecimentos, fossem eles relacionados diretamente à epidemia ou correlato, o tempo pedia rever conceitos e pensar sobre que sociedade estamos vivendo, e foi dessa forma que as questões nasceram. Abordamos os temas e nos desafiamos a criar imagens a partir das questões propostas, assim as 7Mulheres trouxeram, cada uma, a sua questão para ser discutida e a partir dela, criar uma imagem fotográfica. Cada uma de nós respondeu em fotografias a cada uma das questões propostas, daí nasceram 49 imagens para o livro7X7.
8 de Março
Sob forte indignação o Coletivo 7Mulheres produziu esse vídeo para dar voz aos nossos anseios, acreditamos que o posicionamento artístico também é político.
A arte é transformadora e de forte interferência na vida social do país, nosso Coletivo trabalha a partir desses esses valores.
Ana Sabia
Betina Trevisan
Dirce Korbes
Lucian Horn
Luciana Petrelli
Ro Cechinel
Soninha Vill
Teatro sem Plateia
A criação desse trabalho se deu entre os anos de 2020 à 2021, durante o período de isolamento forçado. Inicialmente a fotografia foi minha companheira das horas intermináveis , tendo o tempo como aliado, porém no decorrer dos meses, fui me dando conta da gravidade do que vivíamos e a forma de pensar imagens foi sendo alterada, aprofundando a reflexão, que configuraram a nova realidade. Os elementos foram selecionados para criar fábulas, mantendo sempre o mesmo local e o mesmo horário, dessa forma consegui a concentração que encontrou nos gestos diferentes interpretações sobre os acontecimentos.
Tive a oportunidade de trabalhar com a profissional e amiga, Ana Sabiá que é parte da Coletiva 7Mulheres da qual participo. Já estávamos acostumadas a desenvolver projetos on-line, o que foi muito importante, pois com as fotos em construção, pudemos pensar conteúdo e edição, discutindo e refletindo sobre o que estava sendo exposto pelas imagens.
O título Teatro sem Plateia surgiu do experimento de estar sozinha contando com a câmera e o tripé como o olho que vê, aquela que se apresenta, ou seja, pela primeira vez performei para a câmera.
Este trabalho está sendo lançado neste momento no formato de foto livro, mas antes de chegarmos aqui, entre os anos de 2021 e 2022, apresentei-o em alguns festivais online, como um ensaio privado, dentre estes, fui convidada à participar no Espaço Armazém, Coletivo Elza, pela Curadora Juliana Crispi para numa mesa de conversas com outras curadoras sobre processos criativos, ao longo desses anos fui percebendo algumas necessidades, textos por exemplo, que até então não haviam sido escritos, hoje inseridos no trabalho, textos poéticos dos três atos que são parte da peça de teatro, Devaneios, Abismo e Salto, cada um deles com uma escrita particular, além de contar com o Corpo em Cena, apresentação sobre Teatro sem Plateia.
Acredito que hoje o trabalho construído em parceria com a orientação da profissional Ana Sábia e da editora designer, Luciana Molisani, o Teatro sem Plateia é um objeto de arte no formato de fotolivro e, de hoje em diante, ele segue livre seu caminho, não me pertencendo mais.
Opus
Foi a partir de uma viagem realizada no inverno de 2019 à Nova Zelândia que esse trabalho foi criado. Durante um mês viajamos em família para um país absolutamente novo para mim, paisagens de longos horizontes e proporções imensas foram parte das minhas fotografias.
Num motorhome durante sete dias convivemos , observando paisagens distintas entre a solidão das montanhas e rios congelados, desfrutamos da convivência humana e afetiva. Continuamos a viajar por paisagens infinitas nos hospedando em casas alugadas, conhecendo melhor os hábitos locais, através dos mercados, praças e ruas. Selecionei imagens que ficaram na memória com o intuito de reviver a atmosfera daquela viagem, tão distinta do meu Brasil tropical. Criei o vídeo para lembrar da nossa road movie e convidei o amigo Fernando Moura pianista para participar desse olhar longínquo e quase desértico, mas sempre poético.
Aqui apresentamos Fernando Moura e Luciana Petrelli, trilha original e vídeo de Opus.
Meimbique
Nome dado à Ilha de Santa Catarina pelo povo Tupi-Guarani que aqui viveu. Refere-se à cadeia de montanhas ao longo do mar. Meiembipe é uma referência e valoriza os ancestrais.
O trabalho em videoarte Meiembipe propõe, a partir de uma experiência audiovisual, uma retomada à convivência, investigação sensível e prática poética com a natureza dessa localidade geográfica.
Compreender nossa ação política como parte irremediável do fazer artístico e assumir nosso compromisso com escolhas éticas conosco e com o entorno, a partir de ações coletivas, tem sido o nosso maior prazer e desafio.
Manifestamos pensar a relação com a natureza de forma integral, múltipla e heterogênea ao considerá-la como espaço de cura, de sonho e criação; matriz de vida, processo e ancestralidade; partilha de afetos, sensibilidades, labor e luta na construção de irmandades, coletividades e poéticas infindas.
Participação especial do pianista Fernando Moura no dia 19 de julho às 20h na Casa TAO Brasil.